Òrìsàismo

Leiam o mais recente texto sobre

Òrìsàísmo:

Um Novo Conceito de Identidade Religiosa Globalizada

.

Òrìsàísmo: o conjunto das religiões

ou a religião dos que cultuam os Òrìsà Yorùbá.

Somos, então, Òrìsàístas.

Aulo Barretti Filho. In: Imortalidade Yorùbá – Nascimento e Morte na Religião dos Òrìsà 

[Divulgação e Dados da Conferência em pdf]

   Aulo Barretti Filho [1]


[1] Odontólogo. Escritor, pesquisador e professor da religião tradicional Yorùbá e da afrodescendente. Bàbálórìsà do candomblé Ilé Àse Ode Kitálesi, em São Paulo no Brasil e Asojú Oba Alákétu, em Kétu no Benim.


 

Grupo Étnico Yorùbá

.

Surgimento do agrupamento dos hoje chamados subgrupos yorùbá.

.

A cidade de Ilé-Ifè  na Nigéria, é considerada pelos yorùbá como o local de origem do mundo, consequentemente, o lugar de origem dos primeiros e principais subgrupos yorùbá. Trata-se do berço de toda religião tradicional yorùbá – a religião dos Òrìsà, um lugar sagrado, “aonde os deuses ali chegaram e criaram a civilização, deixando os ensinamentos aos mortais de como os cultuarem”.

Os Yorùba são um grupo étnico que hoje em sua grande maioria está concentrado na Nigéria, em menor parte no atual Benim (antigo Daomé), e em sua minoria no Togo e em Gana, todos países da África Negra Ocidental.

O grupo étnico yorùbá é subdividido em vários subgrupos com variação dialéticas tais como: os Kétu, Òyó, Ìjèsà, Ifè, Ifòn, Ègbà, Èfòn etc. Estes deram origem na diáspora, à religião dos Òrìsà adaptadas às realidades sociopolíticas e econômicas regionais. Portanto, a religião tradicional yorùbá é a matriz afrodescendente da religião dos Òsà.

Com o universo pleno e não tangível já constituído pelo preexistente Olódùmarè, é na cidade de Ilé-Ifè que o mundo tangível foi criado, onde, nos tempos imemoriais os Òsà chegaram.

Religiosamente falando, este é o berço de todos os povos do mundo.

Nesse caminhar, a Religião dos Òrìsà, foi instituída.

.

  Ògé = Òloògé òòsà


Dizem, que o oráculo sagrado yorùbá, o Ifá, fala que a “conclusão” da famigerada, dramática e amoral diáspora africana, especificamente a Yorùbá, somente resultou “de positivo” semear a religião tradicional dos òrìsà através do mundo. Sendo assim, concluímos através do oráculo, que a religião tradicional dos òrìsà e as afrodescendentes são como as outras religiões universais, portanto, a Religião dos Òrìsà é também universal.


 

O porquê do Yorùbá:

Origens, Tradições e Continuidade

.

A diáspora impôs aos negros, uma “vida” escrava nas Américas recém-descobertas. Através do processo da escravatura as religiões africanas enraizaram-se e tomaram as mais diferentes formas de como cultuar suas divindades, no nosso caso, os Òrìsà.

Tomando como exemplo o Brasil, tradicionalmente, os yorùbá, durante e após a escravatura por inúmeros motivos históricos, se auto agruparam, nascendo assim as religiões chamadas de matriz africana yorùbá, a religião dos Òsà. A religião tem, portanto, sua origem na religião tradicional yorùbá; são as chamadas religiões afrodescendentes do Ser Supremo Olódùmarè e do culto aos Òrìsà

Em qualquer lugar do mundo, onde há culto: Èsù, Ògún, Òsóòsì, Òsanyìn, Erinlè, Ìrókò, Sàngó, Oya, Obà, Obalúàyé / Sànpònná, Nàná, Òsùmàrè, Yemoja, Yewá, Òsun, Lógunède, Obàtálá, Òsàgiyán, Òsàlúfón, Òrúnmìlà, Orí etc. há religião dos Òrìsà, pois estes são todos nomes de Òrìsà da religião de matriz africana yorùbá.

Sejam, os ditos de candomblé Keto, Kétu re-africanizado, Angola, Jeje-Nagô, Jeje, Ijexá, Efã, etc. Os de Batuque, os de Xangô, etc. Os de Umbanda, sejam de quais segmentos forem. Inclusive os de outros países da diáspora. 

Tantos e quantos forem, dos mais diferentes nomes, ritos e regiões, se cultuarem Òrìsà, com a mais absoluta certeza possível, podemos chamá-los, ainda que com cultos e ritos parciais, de origem yorùbá, pois, cultuam Òrìsà.

Portanto, com a premissa descrita e aceita – crio um novo conceito teológico, de nos autointitular, genericamente, de sermos todos pertencentes, de um modo ou outro, a religião dos Òrìsà.

Sendo assim, conceituo a nos auto-aclamar

seguidores da religião do Òrìsàísmo:

o conjunto das religiões ou a religião dos que cultuam Òrìsà.

Somos, então, Òrìsàístas.

.

Todas essas divindades são Òrìsà são da matriz africana yorùbá.

Quem cultua Òrìsà é da Religião do ÒRÌSÀÍSMO. Somos ÒRÌSÀÍSTAS.

.

Enfatizando, em todo o mundo:

Serão sempre Òrìsàístas sejam de quais segmentos forem, dos mais diferentes nomes e ritos.

Se cultuarem Òrìsà, ainda que com cultos e ritos parciais de origem yorùbá,

seguramente pertencem ao Òrìsàísmo.

.

Tendo sido, portanto, o Òrìsàísmo instituído durante o mito da criação (seja qual for o mito adotado [1]), e tendo a tradição semeada a religião tradicional dos Òrìsà através do mundo, concluímos, que o Òrìsàísmo, religião tradicional dos Òrìsà é uma religião original, universal, possuindo seus próprios conceitos teológicos, no qual dificilmente cabem, sequer por analogias, os conceitos universais existentes. 

Que fique registrado que o Òrìsàísmo praticado em qualquer parte do mundo, independentemente do nome regional adotado, respeita, mas não re­conhece a Bíblia, como uma de suas diretrizes sagradas, tampouco o Alcorão ou a Torá. Para os Òrìsàístas tratam-se apenas de livros religiosos, assim como tantos outros.

 


[1] Cf. Luiz L. Marins, Obàtálá e a Criação do Mundo Iorubá, São Paulo, Edição do Autor, 2013; e em nosso site: IIé-Ifè – O Berço Religioso do Mundo. 

Veja mais e curta a página em:  Facebook – Òrìsàísmo


       

Oralidade

.

O povo yorùbá são de tradições orais, portanto ágrafas, e requer a máxima atenção ao estudá-las e principalmente expô-las para uma melhor compreensão dos seus conceitos. Só grafada “recentemente”.

A palavra é uma força vital e fundamental, o enunciado oral é uma exteriorização de forças vitais.

O enunciado é o resultado da integração de forças vitais do homem. Portanto – tudo precisa ser pronunciado.

A Oralidade transmite energia, força e dinâmica, sendo assim, contêm Àse. As tradições orais são repletas de metáforas e símbolos.

O Òrìsàísmo oriundo da tradição oral, portanto ágrafa, apesar de já contar muitos escritos,

reconhece apenas a “oralidade” dos Ìtàn-Odù, os Ìtàn-Mimó Òòsà (histórias sagradas dos Òsà)

como o único “livro ou fala sagrada” a serem adotados. 

.

O Surgimento da nomenclatura (do nome) yorùbá

.

“ “O termo yorùbá,” aplica-se a um grupo linguístico de vários milhões de indivíduos. Além da linguagem comum, os yorùbá estão unidos por uma mesma cultura e tradições de sua origem comum, na cidade de Ilé-Ifè. É duvidoso que, antes do século XIX, eles se chamassem uns aos outros por um mesmo nome.” (S. O. Biobaku)

Antes de se ter conhecimento do termo “yorùbá”, livros e mapas antigos, entre 1656 e 1730, são “unânimes” em chamar esses povos de Ulkumy.

Em 1734, o termo “Ulkumy” desaparece dos mapas e é substituído por Ayo ou Eyo, para designar os do império de Òyó.

O termo “yorùbá”, efetivamente, chegou ao conhecimento do mundo ocidental em 1826. Parece ter sido atribuído pelos haussá exclusivamente ao povo de Òyó.

Os Yorùbá – Nigéria: Linguístico

 

Aulo Barretti Filho


 

Os Clérigos Yorùbá e o Òrìsàísmo